É uma aventura lúdica adentrar o “mundo” criado por Arthur Bispo do Rosário, ícone da arte contemporânea brasileira. Comparado com Andy Warhol e Marcel Duchamp, Bispo do Rosário representou o Brasil na 46ª Bienal de Veneza, um dos mais prestigiados eventos internacionais de artes plásticas do mundo, juntamente com o artista Nuno Ramos, suas obras continuam sendo expostas em variados países. As 802 obras deixadas por Bispo do Rosário foram produzidas sob condições adversas e motivadas por uma fé inflexível, ele acreditava estar cumprindo uma missão divina: representar tudo o que existe no mundo. O artista recriou um mundo em miniatura, mantos bordados, estandartes, assemblages (técnica que consiste na justaposição de elemento), e reuniu, em séries, muitos objetos. Segundo o próprio Bispo do Rosário este novo mundo seria apresentado ao Todo Poderoso no dia do juízo final, e seria um mundo “sem trevas, planalto ou precipício”, “sem miséria e nem pobreza”.

A criatividade era abundante, enquanto os materiais eram escassos. Bispo improvisou os recursos de que necessitava para a realização de sua obra, ele desfiou o próprio uniforme azul da colônia, símbolo máximo da despersonalização, para bordar com os seus fios uma arte de vanguarda, irmanada com movimentos como a Pop Art e o Novo realismo. As sucatas recolhidas pelo artista nas suas perambulações pela Colônia Juliano Moreira, sobras e restos, ironicamente, colocariam o Brasil no mapa-múndi das artes plásticas. As palavras também desempenharam um importante papel na obra de Bispo do Rosário, elas foram pintadas, escritas, e emergiram, especialmente e em profusão, em bordados, na forma de nomes de pessoas célebres e anônimas, registros de idéias, e extratos poéticos.

Bispo do Rosário foi um homem de origem humilde, nasceu em 1909 em uma cidadezinha sergipana chamada Japaratuba. Filho de Adriano Bispo do Rosário e de Blandina Francisca de Jesus, o artista foi marinheiro, pugilista e, entre outros trabalhos, prestou serviços para uma família tradicional carioca, os Leoni. Bispo se recusava a receber salário, trabalhava em troca de moradia e alimentação. 



A “outra” origem de Arthur Bispo do Rosário, não a do nordestino negro e pobre, mas, a do “eleito”, “Filho do homem”, começou às vésperas do natal de 1938, quando a cortina que revestia o teto do mundo se rasgou e ele recebeu, por parte de sete anjos, o chamado para se apresentar. Bispo vagou por dois dias pelas ruas do Rio de Janeiro seguindo o exército angelical e chegou ao Mosteiro de São Bento. Ao adentrar a capela ele anunciou que era “o juiz dos vivos e dos mortos, o Cristo”. Bispo esperava ser reconhecido pelos religiosos, porém, enquanto os sinos das igrejas dobravam para receber “o enviado de Deus”, arquetipicamente, tal como aconteceu com o Cristo, Bispo caiu nas mãos da autoridade terrena. Preso por policiais militares foi enviado para o hospício da Praia Vermelha. No dia 25 de janeiro de 1939, Bispo do Rosário adentrou o portão da Colônia Juliano Moreira, que continha na entrada a profética frase: praxix omnia vincit (o trabalho tudo vence).

Classificado pela psiquiatria como esquizofrênico-paranóico, Arthur Bispo do Rosário conheceu a realidade nua e crua da vida no sistema manicomial. A Colônia Juliano Moreira, instituição destinada a abrigar “expurgados da sociedade”, doentes considerados crônicos, “casos irreversíveis” auscultados pela psiquiatria carioca da década de 30, foi a morada de Bispo por cinco décadas. As visões “místicas” e os “delírios de grandeza” fizeram com que o artista fosse encaminhado para o pavilhão 11 do Núcleo Ulisses Viana, lócus privilegiado da geografia da exclusão que era ocupado pelos internos considerados mais “perigosos”.
XXXOs limites geográficos da colônia compreendiam uma área verde de cerca de sete milhões de metros quadrados, com grutas e cachoeiras que integravam a antiga Fazenda Engenho Novo, desapropriada para abrigar o hospício. Em meio à mata atlântica havia uma raridade arquitetônica do século XIX, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

Os portadores de transtorno mental greve colhem, hoje, os frutos da luta antimanicomial em prol da desospitalização. Os manicômios, cujo modelo de assistência teve a sua ineficiência comprovada, estão sendo substituídos por Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e por Casas lares, e a legislação, se não é perfeita, reconhece os direitos dos portadores de transtorno mental grave. Mas em 1938 a situação era bem diferente, pois as técnicas psicanalíticas propostas por Freud na virada do século XIX, só chegaram à Colônia Juliano Moreira em 1981, antes disso, esta reproduzia as experimentações que chegavam de centros psiquiátrico europeus, ricas em perversidades. O eletrochoque, por exemplo, aparato desenvolvido na década de 30 pelo italiano Ugo Cerletti, a partir da visita a um matadouro de porcos, foi muito bem recebido na Colônia, tanto que havia uma máquina em cada Núcleo. O dramaturgo Antonin Artaud, em 1945, escreveu ao seu psiquiatra pedindo a interrupção do eletrochoque, ele disse: “o tratamento apaga a minha memória, entorpece meu pensamento e meu coração, faz de mim um ausente que se vê durante semanas em busca do seu ser”. A lobotomia foi um “tratamento” recebido na Colônia como a “salvação da lavoura”. Inventada em 1936 ela rendeu ao seu criador, o neurologista português Egas Moniz, o Prêmio Nobel de Medicina. Bispo, como por milagre, safou-se de muitas destas armadilhas da psiquiatria de sua época.

Ex-lutador de boxe e possuidor de grande força física, Bispo do Rosário passou a ajudar os enfermeiros na contenção dos pacientes mais violentos, conquistando assim, um lugar para si na Colônia, ele era o “xerife”. O artista fez amigos no manicômio, ele empreendia algumas tarefas e usufruía de pequenos privilégios como o de “tomar café com os guardas nos bastidores do poder”. Com o passar do tempo os enfermeiros passaram a respeitar os períodos nos quais Bispo submergia no oceano particular de vozes que lhe diziam o que precisava fazer, eram épocas de recolhimento e produção frenética.

O cunho místico que orientou o processo criador de Bispo do Rosário exigia o isolamento. Foi do seu mundo particular que a ele confrontou o poder opressor do sistema psiquiátrico vigente. Uma infinidade de artigos de consumo do hospício segregados em blocos: galochas, colheres, fivelas de cintos, cabides, seringas, pentes, ferramentas, pipas, chapéus, rodos, bolas, capacetes, foram reunidos e utilizados numa ação criativa, uma “obra-escudo”, esta foi, de certa forma, uma expressão de resistência.

A visada psicanalítica chegou a Colônia após 1981 e os pacientes passaram a ser estimulados a falar. Foi nesse período que Rosângela, estudante de psicanálise, chegou à Colônia, e um forte vínculo se estabeleceu entre ela e Bispo. Nessa época o artista passou a construir as miniaturas em dobro para presenteá-la, Rosângela tornou-se para Bispo uma personagem idealizada, ela era o seu anjo redentor, tanto que ele escreveu: “Rosângela Maria Diretora tudo eu tenho”.

Enquanto, na clausura do seu “quarto-forte” (cubículo minúsculo que abrigava um colchonete e um buraco no solo), e longe dos olhares curiosos, Bispo do Rosário escondia os mistérios do seu “novo mundo” em formação, no mundo, a arte explodia em novos conceitos. Na Itália de 1962, Piero Manzoni seguia a tendência do New Dada explorando a desordem dos materiais e expondo, em galerias, objetos do cotidiano. Pães e ovos cozidos deram forma a obras que, depois de expostas, eram consumidas pelo público. Manzoni expôs caixas com as próprias fezes numa obra denominada Merde d’artiste. Obras de Manzoni, como a assemblage de paezinhos, encontrou eco nas obras de Bispo do Rosário, tanto nas peças que agrupavam “bugigangas” em série, quanto nas garrafas plásticas preenchidas com fezes e urina, organizadas pelo artista.

O sistema social opressor era confrontado por obras escatológicas e improváveis e muitos artistas se engajaram na tentativa de enterrar a tradição. O francês Arman, por exemplo, artista plástico representante do Novo Realismo, passou a tomar os bens de consumo da sociedade moderna para reorganizá-los em repetições aleatórias, suas obras mais conhecidas intitulam-se Latas de lixo e Montes de detritos. Outro francês, Íris Clert, produziu obras como Retrato de Sonny Liston (1963), que consistia num amontoado de ferros de passar roupas que alcançava 85 centímetros de altura. Um ferro de passar roupas, daqueles antigos e pesados, também integrou as assemblages de Bispo do Rosário. Ironicamente, enquanto os artistas denunciavam a compulsão capitalista no mundo, Bispo estava alheio a movimentos artísticos, galerias de artes, marchands e mecenas, ele era um excluído do sistema.

“O senhor do labirinto” não gostava de falar sobre a sua história de vida, quando lhe perguntavam sobre a sua origem, ele respondia apenas: “Um dia eu simplesmente apareci”. Muito do passado do artista emergiu na sua obra do recôndito da memória: signos da infância e tradições de um lugar (Japaratuba) que tem como centro a Igreja de Nossa Senhora da Saúde. Os bordados, as fantasias do Dia de Reis, a coroação do Rei e da Rainha em vestes cravejadas de bordados e franjas, ambos negros, nos Folguedos, bem como, a pressão cultural representada no nome que reúne dois termos imantados pela religiosidade católica (Bispo + Rosário). Em um dos bordados do artista aparece a inscrição “Missão Japaratuba”, fragmento que comprovam a riqueza cultural herdada, que foi poeticamente trabalhada em fardões tecidos, adornos, rebordos costurados. Variações estéticas também incorporaram temas marítimos; embarcações com mastros, bóias, botes salva-vidas, âncoras e bandeiras, reminiscências da época de marujo. Bispo se designava “Rei dos Reis” e, para si, teceu um manto avermelhado, salpicado de bordados com o qual seria coroado, o “Manto da Apresentação”, peça considerada a sua obra-prima.

Bispo esperava que os mesmos sete anjos que lhe transmitiram “o chamado” viessem buscá-lo “com poderes e glórias” para levá-lo “para cima”, e visando a salvação do mundo ele construiu uma obra intitulada “A arca de Noé”, um barco feito com papelão e pano. O sagrado e o profano perpassam toda a obra de Bispo: bandeirolas juninas, a bandeira do Brasil, signos religiosos como um coração de Cristo (entalhado na madeira), imagens de santos, medalhinhas da Virgem Maria, cruzes e crucifixos ilustraram a sua via-crucis estética.

Bispo realizava jejuns sazonais para ficar “todo brilhoso, dos pés a cabeça”, até tornar-se “transparente” e “subir aos céus na hora da passagem”. Entre delírios e momentos de lucidez, Bispo do Rosário construiu uma obra monumental, que “possui vocação para a vitória”, ao tecê-la, o artista elevou o seu eu para além da condição de “louco e asilado”. Bispo, já idoso, passou atrair olhares forasteiros, especialmente dos jornalistas. Foi a partir de 1985 que a sua obra ganhou visibilidade e começou a se projetar nacionalmente. Ele posava altivo para as câmeras, vestindo o “Manto” e empunhando estandartes. Nuances da vida e da arte de Bispo do Rosário tem sido trabalhadas por artistas em filmes, teatros e livros. A Editora Rocco, após 15 anos, reedita obra Arthur Bispo do Rosário: o senhor do labirinto, escrita pela jornalista Luciana Hidalgo, vencedora do Prêmio Jabuti de 1997. Essa obra revela um estudo aprofundado que conta com pesquisas realizadas na Colônia Juliano Moreira e em Japaratuba, bem como, com entrevistas. Luciana Hidalgo afirmou que, após trilhar o “labirinto de palavras, histórias e bordados”, do universo de Bispo do Rosário, saiu “outra”.

A morte de Bispo do Rosário em 1989 suscitou a preocupação com o destino e preservação de sua obra, então foi fundada a Associação de Amigos dos Artistas da Colônia Juliano Moreira. Atualmente, Arthur Bispo do Rosário dá nome ao único Museu de Arte Contemporânea, cujas exposições acontecem em galerias situadas nas dependências de uma instituição psiquiátrica. O acervo do Museu Bispo do Rosário foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio do Rio de janeiro (INEPAC), e as obras ficam expostas permanentemente. Municipalizado, o Hospício Juliano Moreira tornou-se Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.
Renata Bomfim
Poeta e arteterapeuta

“Meu marido é oficial de caçadores, e eu... sou feliz. Bem vê, como não o havia de ser? Conhece-me, sabe perfeitamente que eu sou sempre feliz, desde que tenha a quem me dedicar e por quem me sacrificar”                                                        Florbela Espanca

Florbela Espanca (1894-1930) veio ao mundo numa das datas mais importantes do calendário português, 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal. A poeta que nasceu em Vila Viçosa, região do Alentejo, terra de Mariana Alcoforado e suas cartas de amor, é considerada, hoje, a voz lírica feminina portuguesa mais importante do século XX.
 
                Fruto de uma relação extraconjugal, Florbela e seu irmão, Apeles, foram gerados por Antônia da Conceição Lobo, moça humilde que trabalhava em casa de família. Como não podia ter filhos, Mariana do Carmo Inglesa consentiu na relação entre Antônia e João Maria Espanca, posteriormente, criou os irmãos e foi madrinha de Florbela.
                Precoce, aos nove anos de idade, Florbela escreveu seu primeiro poema, intitulado "A vida e morte"

A artista plástica Selma Weissmann  produziu duas obras inspiradas em um poema sem título de Florbela: “Dama emVermelho” e “Anna Karenina”, em acrílica sobre tela.

Já a artista plástica Dayse Egg de Resende produziu duas obras inspiradas em um poema sem título de Florbela:
para exposição 
Porta da casa onde viver Florbela Espanca,
 em Vila Viçosa/ Portugal


: “O que é a vida e a morte/ Aquela infernal inimiga/ A vida é o sorriso/ E a morte da vida a guarida”. Foi aos vinte e dois anos, em 1916, que a poeta começou a carreira como escritora, a partir da estruturação do manuscritoTrocando Olhares (1915- 1917). Em vida, Florbela Espanca publicou dois livros de sonetos: Livro de Mágoas (1919) e Livro de Sóror Saudade (1923), póstumos vieram a lúmen: Charneca em Flor (1930), Reliquiae (1931) e Juvenília(recolha de poemas juvenis, muitos deles parte do manuscrito Trocando Olhares). Florbela Espanca também possui uma obra ficcional em prosa que compreende os livros de contos intitulados O Dominó Preto (1982) e As Máscaras do Destino (1931).

Vista frontal da casa onde nasceu Florbela Espanca

   
 A morte, com a sua tentação plena, o suicídio, consagrou a tragédia florbeliana, assim como consagrou as de Inês de Castro, de Julieta, de Isolda, de Sylvia Plath, de Grace Kely, e de tantas outras mulheres que, repentinamente, desapareceram deixando uma aura de mistério no ar: “Deixai entrar a Morte, a Iluminada”, escreveu Florbela no soneto Deixai entrar a morte. O suicídio, ritualisticamente realizado no dia em que completaria 36 anos de idade, não passou despercebido (família católica, interdição da palavra ‘suicídio’ na imprensa, receio de falatório), e Florbela, que em vida conheceu o silêncio da mídia, tornou-se, depois de morta, um fenômeno literário. Esse fato desviou o olhar para da sua obra e muitos escritores passaram a estudar a sua vida e o seu comportamento, fato que está sendo superado. Novos olhares têm sido lançados, não apenas sobre a poesia, mas também, sobre os contos e epistolografia de Florbela Espanca.  
             
Extemporânea, Florbela carregou o estigma de ser mulher numa sociedade patriarcal e falocêntrica. A poeta tinha consciência do seu desenquadramento e em uma carta dirigida a amiga Júlia Alves relatou: “Eu não sou em muitas coisas nada mulher; pouco de feminino tenho em quase todas as distrações de minha vida. Todas as ninharias pueris em que as mulheres se comprazem, toda a fina gentileza duns trabalhos em seda e oiro, as rendas, os bordados, a pintura, tudo isso que eu admiro e adoro em todas as mãos de mulher, não se dão bem nas minhas apenas talhadas para folhear livros que são, verdadeiramente, os meus mais queridos amigos e os meus inseparáveis companheiros. [...] Que desconsolo ser assim, minha Júlia!”.

 Florbela Espanca imaginou, por meio de sua poesia, variadas subjetividades em diálogo, e por meio dos seus escritos, ela trabalhou variados aspectos do universo feminino. A poética florbeliana abarca aspectos como o amor, a dor, a desilusão por buscar e não encontrar o amado, a tristeza e o destino que arrasta os seres independente de sua vontade. O eu lírico, sedento de infinito, se metamorfoseia e joga com as formas do mundo, convidando o leitor à experimentação das emoções. Com uma sedução própria da alteridade a obra de Florbela traz em si o germe do encontro com o outro: “Procurei-O no seio de toda gente./ Procurei-O em horas silenciosas!/ [...] E nunca O encontrei!... Prince Charmant”.
                Conhecida como a “poetisa da melancolia e da saudade”, Florbela Espanca é uma persona dramatisque ainda não teve todas as máscaras reveladas. Recentemente a editora portuguesa Quasi, de Matosinhos, publicou a correspondência amorosa de Florbela Espanca, cuja organização, fixação de textos e notas foram assinados pela pesquisadora Maria Lúcia Dal Farra. A obra Florbela Espanca Perdidamente reúne uma série de correspondências trocadas entre a poeta e o seu amante que, posteriormente, tornou-se o segundo marido, Antônio Guimarães. Essa epistolografia de Florbela Espanca, escrita entre os anos de 1920 e 1925, lança luz sobre uma zona até então obscura da vida da poeta, revela uma “Florbela inaugural”, “em estado de amante”, que escreve a partir de uma zona silenciosa e solitária onde tudo é “sigiloso e dito em sussurro”, como afirmou Dal Farra.
                Florbela estava separada do primeiro marido, Alberto Moutinho, porém, ainda oficialmente casada com ele, e acabara de publicar o seu primeiro livro, o Livros de Mágoas, quando, num baile de carnaval, em Lisboa, conheceu Antônio Guimarães. Os seus olhos de pantera pousaram sobre o jovem bem apessoado, magro, de cabeleira lisa e loira, que trajava uma farda cor de avelã: “Olhos do meu amor! Infantes loiros/ Que trazem os meus presos, endoidados!”, cantaria a poeta no soneto Teus olhos, da obra Charneca em Flor.
                Florbela estava com 25 anos e atravessava por uma fase difícil, experimentava a sensação de desamparo por estar afastada da família, e se considerava uma “desterrada”. A personalidade singular da poeta, bem como, o fato de ela ser estudante de Direito na Universidade de Lisboa, destacava-a dentre as outras mulheres. Exposição pública que se agravou com a sua estréia no mundo das letras, e deu margem a variados comentários maliciosos. Segundo Ana de Castro Osório, o atributo de “literata” era “o mais desagradável que podia ser dito de uma senhora, que era vista com um livro na mão”. O fantasma da infâmia assombrou a relação entre Florbela e Antônio e foi um dos motivos da separação do casal.
                O romance entre Florbela Espanca e Antônio Guimarães, que era alferes da Guarda Nacional Republicana, sofreu com as intempéries políticas. O Portugal Republicano do inicio do século XX com seus atentados, assassinatos na “Noite Sangrenta” e crises de autoridade, exigiam a presença constante dos seus Guardas Nacionais, dentre os quais estava Antônio, esse fato agravou, além do sentimento de solidão e impotência, a saúde de Florbela.
                Embora Florbela ainda estivesse oficialmente casada, ela se considerava a “noiva” de Antônio, que lhe acenava com promessas de amor e de um lar, “um ninho”, onde seriam felizes. O amor vivido sob signo da clandestinidade e da ilegalidade levou os amantes a buscar estratégias para ficar juntos. Florbela só podia se encontrar com Antônio na companhia de seu irmão, Apeles, que sempre a defendeu das más línguas, e por quem a poeta nutria um amor quase maternal. Porém, ocupado, ou não querendo se comprometer, o jovem não mais acompanhou o casal que, desesperado, passou a pegar junto o transporte público. A bordo do elétrico, porém sempre sobressaltados com a possibilidade de encontrar alguém conhecido, trocavam olhares e pequenas frases. Acerca desses episódios Florbela escreveu: “Então, Vossa Mercê digna-se mostrar satisfeito do passeio à conchinchina? Eu estou fartíssima, e nem as extravagantes viagens de Júlio Verne, nem mesmo a da lua ou a das cinco semanas em balão, me poriam mais estafada e me dariam mais vontade de criar raízes num qualquer sítio”.
                Noutros momentos Florbela ficava a janela de sua casa e Guimarães ao longe, ficavam se olhando e se desejando, porém, logo as más línguas fizeram com que Florbela escrevesse para Antônio um bilhete dizendo: “Quando por aqui passares não pares nunca. Depois te direi porquê. Passa a pé ou a cavalo, de trem, de automóvel ou de aeroplano mas vê-me de longe sempre”. Vivendo em casa alheia, Florbela ansiava legalizar a sua situação com Antônio para que pudessem viver felizes, em uma casa só deles, ela ansiava um lar. Esse desejo pode ser observado expresso no poema A nossa casa:

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que nesse mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro − tão bom! − dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...

                Variadas cartas revelam a importância de ter uma casa para Florbela: “Não sei o que esperas para alugar casas, dizes que a questão é eu ir, pois eu digo que a questão é ter lá um buraco por modesto que seja. Palácio ou tenda na praia, o que eu preciso é casa minha”, noutra carta a poeta diz: “Muito depressa arranja a nossa casinha seja como for. Na Foz ou no Porto ou em casa do Diabo”.
Ainda no poema A nossa casa (ESPANCA, 1996, p. 224), observamos o eu poético questiona sobre um lugar compartilhado: "A nossa casa, Amor, a nossa casa!/ Onde está ela, Amor, que não a vejo?".
                Em abril de 1920, o casal passou cerca de dezesseis dias em uma “lua-de-mel clandestina”, que logo foi interrompida com a convocação de Antônio para o quartel de Lisboa. Sozinha novamente a poeta passou a abordar uma toalha de mesa: “Acabei agora o meu eterno bordado, acabei por hoje.... Dá-me já a ideia da célebre Penélope, feita de dia, desfeita de noite, enquanto o bem amado, ao longe, vagueava pelo mundo afora. A célebre toalha estafa-me, e bem grande será o prazer de ver o meu desastrado homem amarrotá-la e enchê-la de chá ou cinza de cigarro”. Este período foi de grande ansiedade para Florbela, porém, as cartas mostram, também, uma Florbela irônica e possuidora de um aguçado senso de humor, como afirmou a poeta, “felizmente, todas as tragédias têm o seu lado cômico”.
                Florbela e Antônio casaram-se no dia 29 de junho de 1921 e seus padrinhos foram Apeles e Buja, que foi amiga de Florbela durante toda a vida, e que após a morte da poeta lutou pela reabilitação do seu nome. Florbela economizava o dinheiro ganho com a venda das galinhas que criava para comprar um colar de pérolas, porém, pediu-o a Antônio como presente de casamento. Possivelmente, seja este o colar que vemos sendo exibido pela poeta nas suas fotos mais conhecidas e que tanto admiramos.
                Florbela e Antônio viveram uma relação de grande cumplicidade sexual: “os nossos mimos, a nossa intimidade, as carícias são só nossas; no nosso amor não há cansaços, meu pequenino adorado! Como o meu desequilibrado coração de artista se prendeu a ti”. Nas noites solitárias, calvário que a poeta subia “devagarinho”, e em dores, nos chegam os relatos da falta que o amado lhe fazia: “Uma grande noite sem ti! Quantas horas terá ela, a noite que vem, a noite que desce sobre a terra e dentro de mim? Tenho saudade das carícias dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos, tão más as vezes, como ontem à noite... Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te enfiar entre os meus dedos. Tu tens me feito feliz, como eu nunca tivera esperança de o ser”. Em carta datada de 14 de janeiro de 1921, a poeta se despede do amado desejando “muitas festas ao pirilau”; já noutra, a poeta chega a perguntar ao amante se o seu “pirilau” não estaria “cheio de saudades”, e que viesse logo, pois, haveria “muito licor” a esperá-lo.
                O casamento trouxe para o casal, além da realização sexual, a rotina e uma fase de grandes dificuldades financeiras. Sempre em busca de autonomia, Florbela criava galinhas e coelhos. Eis outra faceta da poeta que, no seu Diário de ultimo ano afirmou: “o olhar dum bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano”. Amorosa, Florbela cuidava da criação com desvelo, especialmente dos “pintainhos” e, em meio aos versos rascunhados, ou em uma caderneta, anotava a quantidade de ovos postos e quantos estariam por chocar. Numa carta a poeta mostrou-se muito “escamada” com a morte de sua galinha que “tão boa era”.
                Afastada de Antônio, que servia à pátria, volta a comparecer nas cartas de Florbela a nostalgia do lar, do paraíso perdido “O lembra-me de ti, da nossa casinha, da nossa tão doce intimidade, é como se um lindo raio de sol me iluminasse toda. Pensar que em alguns dias vou encontrar o meu paraíso perdido é o bastante para me fazer sorrir”. Em carta datada de 19 de janeiro de 1920 a poeta chama a atenção de Antônio: “Toma cuidado, meu amor, lembra-te que a tua pátria e que a tua república sou eu, é a tua Bela!”.
           
  Apenas seis meses após o casamento, Florbela já pensava em se separar de Antônio. A ascensão profissional do marido foi o inicio do fim do relacionamento entre ambos. No inicio de 1923, o manuscrito que Florbela intitulara Claustro das quimeras se transformou no segundo livro publicado pela poeta, o Livro de Sóror Saudade. Quando esta obra veio a público, Florbela estava mudada. Quando conheceu Antônio ela dedicou a ele um exemplar do Livro de Mágoas com a inscrição:

“Ofereço-te o meu livro, que é a minh’alma de outrora: cheia de mágoas − ela anda hoje cheia de quimeras, do sonho com que a encheste, com as ilusões com que a deslumbraste... Ela é outra, agora! Vai toda nesta página... e nem se lembra sequer que foi, um dia, aquela que sonhou, em horas de tortura, o pobre e triste Livro de Mágoas...”
Florbela Espanca
Ano de 1920
            O projeto poético Claustro da quimeras, guardou a apaixonada dedicatória “A Antônio Guimarães”:

“Àquele que é na vida toda a minha vida, àquele que é na amargurada noite da minh’alma, a deslumbradora luz que tudo ilumina e aquece, ao meu único amor de verdade, maior que todos os amores de quimera e ilusão que tão cedo passaram...”.
Bela

Porém, este projeto poético, materializado no Livro de Sóror Saudade, trouxe uma dedicatória diferente, em tom comedido, e que já não revelava paixão, mas amizade por Antônio. “Ao Tónho” ela escreveu:

O primeiro exemplar de o Livro de Sóror Saudade pertencia-te. Ofereço-to pois com muito afeto e muito reconhecimento por tudo que te devo de bom e feliz na minha vida.
Tua amiga, muito amiga.
Bela
A dedicatória da nova obra já não exaltava o amor por Antônio, mas revelava agradecimento e amizade por parte de Florbela. A poeta escreveu que se um dia alguém se julgasse com direito a perguntar a Antônio o que ele fez por ela, que ele respondesse que fez dela “uma mulher” e da sua vida “um sonho”. Como Florbela própria disse Antônio Guimarães “conseguiu domar a insubmissa Miss América, e transformá-la numa burguesinha pacata”. Enquanto esteve apaixonada por Antônio Guimarães Florbela produziu muitos e belos versos, como os sonetos Anoitecer, Da minha janela, que diz: “Amor! Teu coração trago-o no peito.../ Pulsa dentro de mim como esse mar/ Num beijo eterno, assim, nunca desfeito”. O poema A vida que, posteriormente, Florbela intitulou Inconstância: “Amar-te a vida inteira eu não podia/ A gente esquece sempre o bem dum dia/ Que queres, ó meu amor, se é isto a vida!”, e o soneto O nosso mundo, que transcrevo na íntegra, e que a poeta dedicou ao seu “homem querido”: 

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…            
 (Lisboa, 2-6- 1920)

                Em 1921, residindo com Antônio no quartel da Foz, há um silêncio entre os amantes, já não se comunicam mais como antes, há um silêncio com relação à gravidez e ao filho que Florbela perdeu por conta de um aborto hemorrágico. Nessa época, janeiro de 1921, na casa de seu pai, Florbela compôs o poemaCaravelas: “Eu sempre fui assim este Mar Morto:/ Mar sem marés, sem vagas e sem porto/ onde velas de sonhos se rasgaram!”.
                De volta a Lisboa, como quem cumpre uma sina, Florbela está em casa emprestada. A relação com Antônio se deteriora a cada dia e, em 1924, a poeta compõe para Antônio um soneto que será conhecido apenas em 1931, na obra Charneca em Flor, ele intitula-se Supremo enleio e diz:

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta…
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!...

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda!      
(8-2-1924)

Em abril de 1924, dois meses após Florbela ter escrito este soneto, outra ironia do destino, Antônio iniciou um processo de divórcio litigioso contra ela, alegando “abandono de lar”.  Antônio que fora “Tonho, Toninho, Urso pardo, preto”, converteu-se, nas palavras da própria poeta, em “bicho mau”. Adoentada, possivelmente por outro aborto involuntário, no dia 3 de dezembro de 1923, Florbela escreve a derradeira carta para Antônio e nela se despede assinando: “Saudades de tua mulher”. Ainda nesse mês, Florbela escreverá ao seu irmão dizendo: “[...] eu estava a me transformar na mais vulgar das mulheres, e por orgulho, e mais ainda por dignidade, olhei para frente, sem covardias e nem fraquezas, o que aquele homem estava a fazer da minha vida, e resolvi liquidar tudo simplesmente, sem um remorso, sem mais pequenas mágoas. Estou a divorciar-me para me casar novamente”.
                O soneto Supremo enleio mostrou-se profético, pois, quando Antônio Guimarães morreu, em 1981, deixou para a posteridade um rico acervo de recortes de jornal com tudo o que havia sido publicado sobre Florbela Espanca, com noticias de antes e de após o seu falecimento. No famoso baú de Fernando Pessoa foi encontrado um poema que hoje está depositado no espólio do poeta (ESP. E3/ 66ª-39) na Biblioteca Nacional de Lisboa. O poema intitulado À memória de Florbela Espanca diz:

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as nuvens pairava
Por cima dos astros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.

Criatura estranha, espírito irrequieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo.

Referências:
- ESPANCA, Florbela.
Poemas Florbela Espanca. Estudo introdutório, edição e notas de Maria Lúcia Dal Farra. Martins Fontes. 1996.
- DAL FARRA, M. L. ; ESPANCA, Florbela ; PEDROSA, Inês . Florbela Espanca, Perdidamente. Correspondência amorosa. Porto: Quasi/Câmara Municipal de Matosinhos, 2008. v. 1. 311p .

Renata Bomfim


  "O designer Cezar Guedes tem um diferencial no seus produtos. Ele dedica-se ao projeto de mobiliário com madeiras de reflorestamento e estrutura feita com encaixes, sem uso de pregos ou parafuso e madeira laminada moldada. Professor de Design de Produto, já ganhou prêmios no Brasil e no Exterior. 

Seu trabalho procura ser simples e elegante. O uso de técnicas antigas de marcenaria para a fabricação das peças faz com que use materiais ecológicos, fazendo assim sua contribuição para o mundo verde, mais correto. 



 
Detalhe






MOVEIS FEITOS COM SISTEMAS DE ENCAIXES. NÃO TEM PREGOS OU PARAFUSOS





Banquetas








Arte, conceito e muito bom gosto.

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Os trabalhos inéditos podem sem conferido no Ambiente de Carol Daros, O jeito brasileiro de morar no decora lider 2014.

O projeto da Arquiteta Carol Daros para “Espaço de Vivência” Mostra Líder 2014, resgata e valoriza,  conversa, os momentos em família, como os de antigamente, agrega encontros, amigos, a uma conversa prazerosa.

Um espaço que valoriza o jeito brasileiro de morar, a arquiteta escolheu obras de arte do Escritório de Arte Dayse Resende que remetem a natureza, esculturas de formas orgânicas de ​JTavares e telas da série Pássaros Brasileiros da artista Sandra Resende, e também obras literárias clássicas que compreendem matéria-prima de nossa cultura, móveis com acabamentos ou inspiração em outras décadas, tecidos atuais e plantas que remetem a cultura, fauna e flora brasileira.

Obras de arte do Escritório de Arte Dayse Resende

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http://www.dayseresende.com/2014/06/jocimar-tavares_22.html

Aconteceu em 28 de Março de 2001.
Saiu a matéria sobre a  Galeria de Arte Sandra Resende
Jornalista Melissa Stelzer, fotos de Isaumir Nascimento


Galeria de Arte Sandra Resende

O espaço da galeria é resultado de muita pesquisa e foi projetado pelo arquiteto capixaba José Daher Filho, que buscou valorizar a ventilação e luz naturais. O design interno foi especialmente elaborado para comportar produções da arte moderna e contemporânea, que dialogam cada vez mais com o ambiente em que se encontram. São 300 m² divididos em duas salas de exposição - uma para o acervo, estritamente comercial, e outra onde vão acontecer as exposições temporárias - o ateliê, uma sala-oficina e um jardim para projetos externos.

Todos os detalhes foram tratados cuidadosamente, inclusive o banheiro público e a copa/cozinha, que são decorados com faixas de azulejos confeccionados por Sandra. A temática dos azulejos da copa é voltada para os signos e as constelações e a do banheiro é mais abstrata.

A proprietária da galeria, Sandra Resende, nasceu em Barbacena, Minas Gerais, e pinta desde 1965, quando fez o seu primeiro curso de pintura. Nestes mais de trinta anos de carreira, a artista sempre teve como sonho ter a sua galeria junto de seu ateliê, e foi com o apoio da família que conseguiu construir o local que junta as expectativas que cultivou desde o início de seu trabalho.

Dayse Egg de Resende, filha de Sandra, conta que todo artista precisa de muito apoio, principalmente da família. Ela se envolveu com todos os preparativos para a inauguração e, mesmo sendo formada em Direito, resolveu fazer Artes Plásticas, seguindo o exemplo da mãe. Sandra se diz uma felizarda por poder trabalhar com o que ama, que é a pintura e a arte.

Com a galeria, mãe e filha pretendem preencher algumas lacunas que são hoje ocupadas por espaços sem fins lucrativos. Em todos os anos de carreira Sandra viajou por muitos lugares, conviveu com muitos artistas. É através destes contatos que a artista pretende atuar de forma efetiva no intercâmbio com outros estados, inserindo artistas capixabas no circuito nacional e trazendo artistas de fora para expor aqui.

A começar pela mostra individual da exposição inaugural, com o artista paraense Armando Queiroz. Pintor, ceramista e gravador, ele busca nas casas de miudezas de Belém e nas ruas da cidade os materiais utilizados em seus trabalhos. Interferindo, manipulando e desconstruindo forma e função, os objetos são implicados em uma visão de religiosidade atemporal e cotidiana.

A exposição inaugural conta também com uma mostra coletiva de artistas capixabas e mineiros. Participam desta mostra os artistas Attílio Colnago, Lando (Orlando da Rosa Faria), Rosana Paste, Sandra Resende, Hélio Siqueira, Leo Piló, Maria Amélia Guimarães, Rosane Dias e Paulo Miranda.

Segundo Attílio Colnago, é ótima a abertura de mais uma galeria aqui em Vitória, especialmente por causa do retrocesso que tivemos com o fechamento de galerias como a do Itaú, Sedu e outras. " É mais uma espaço que nos dá a oportunidade de expor em outros locais, conquistando um novo público, já que Jardim Camburi está fora dos grandes centros da cidade" disse.

O artista Lando falou que a nova galeria representa uma expectativa quanto aos crescimento do mercado capixaba no que diz respeito ao avanço da arte contemporânea. "É um estímulo a mais para a produção, já que este é mais um espaço comercial" finalizou.

Outro objetivo da galeria é o de atuar como formadora de público, através do desenvolvimento de trabalhos de arte/educação, cursos de História da Arte e palestras com profissionais da área.

Dayse e Sandra já falam de projetos, junto a escolas da cidade, para uma visitação programada e, para o Dia das Crianças, está em execução um projeto de um concurso para alunos.

Para profissionais de arquitetura, decoração, professores e interessados, a partir de agosto acontece um Curso de História da Arte, ministrado pela artista plástica e Mestre em História da Arte, Samira Margotto.

O curso tem o objetivo de ensinar uma nova visão da arte contemporânea, partindo do cotidiano das pessoas.

Serviço:

Galeria Sandra Resende - Rua Júlia Lacourt Penna, 751, Jardim Camburi - Vitória. Funciona das 10h às 19h.A exposição de Armando Queiroz pode ser visitada até o dia 10 de julho.
Informações sobre o curso ou envio de projetos: 337-2678 ou 9962-2130, com Sandra ou Dayse.

Fonte :http://seculodiario.com.br/arquivo/2001/mes_05/31/caderno2/31_05_02.htm

Intervenção Urbana na Fachada do Escritório de Arte.Tudo aconteceu em 30 de março, de 2012,  no bairro Jardim Camburi, o maior de Vitória, no Espírito Santo, recebeu uma intervenção urbana, proposta pela artista plástica e empresária da arte Dayse Resende.

14 artistas do Espírito Santo e de outros estados modificaram  totalmente e com muita arte a fachada de um prédio situado à avenida Ranulpho Barbosa dos Santos, uma das principais do bairro.


“Decidi juntar os artistas e fazer uma ação pelo bairro. Um trabalhoem equipe é mais denso de ideias e propostas. Ao convidar pessoas de diferentes cidades e olhar estético, procuro evidenciar a heterogeneidade da produção atual, a diversidade cultural e as diferentes formas de apreensão da arte”, explica a curadora do projeto, Dayse Resende.


Como ela mesma explica, cada artista tem seu projeto poético e, ao agrupar todos de forma colaborativa, o resultado causará, certamente, um estranhamento no espaço urbano.

Os artistas capixabas farão seus trabalhos ao vivo, na hora da intervenção; já aqueles que são de outros estados prepararam e enviaram seus trabalhos para serem afixados à parede, a partir da técnica do lambe-lambe.

A escolha do prédio para sofrer a intervenção não se deu à toa. Situado em um lugar de passagem, o espaço tem uma fachada com localização privilegiada, em uma esquina.
 
Os artistas confirmados são Alex Vieira, Anderson Moska, Attilio Colnago, Cristina Bastos, Dayse Resende, Joana D’arc Fortes, Luciano Cardoso e Sandra Resende. De outros estados, mandarão seus trabalhos Eduardo Eloy (Ceará), João Pedro do Juazeiro (Ceará), Dalton de Paula (Goiás) e Rosane Dias (Minas Gerais).

Auxiliares dos artistas: Otávio Coli, Ana Paula Ramos, e Izenil Silveira de Almeida (Xips).

Projeto e Curadoria: Dayse Resende
Produção: Ana Paula Ramos Ribeiro e Veronice Schieferdecker.
Fotografia: Otávio Coli e Rafael Torenzani
Vídeo: Heitor Riguette
Apoio: Núcleo de Conservação e Restauração da Ufes.
Patrocino: Escritório de Arte Dayse Resende

Link Vídeo:

Para Dayse, esta intervenção teve como principal consequência o estabelecimento de uma importante marca no bairro, a partir da particularização do lugar e da recriação da paisagem. Para ela, o local, a partir da intervenção, será responsável por causar impacto no espectador ou simples passante.

Segundo a curadora do projeto, esta será também uma importante oportunidade de os artistas se inserirem no tecido social, abrirem novas frentes de atuação e ganharem visibilidade para seus trabalhos fora dos espaços consagrados de atuação, como galerias e museus, tornado, inclusive, a arte mais acessível ao público.

Intervenção urbana aconteceu no dia 30 de março (sexta-feira), a partir das 16 horas, 2012.
Onde: Avenida Ranulpho Barbosa dos Santos, 586, Jardim Camburi, Vitória/ES

Lambe : Obra de Dalton de Paula     

Texto de Ariani Caetano
Fonte: Ariani Caetano, Dayse Resende, Assessoria de imprensa EADR.

 Intervenções urbanas            conceito
São às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. São ações de artistas com seu trabalho individual aplicado sobre determinado espaço de forma colaborativa ou não.

A intervenção se dá, assim, sobre uma realidade preexistente, que possui características e configurações específicas, com o objetivo de retomar, alterar ou acrescentar novos usos, funções e propriedades e promover a apropriação da população daquele determinado espaço.

O local abriga o Escritório de Arte Dayse Resende , em Jardim Cmburi












É com grande satisfação que o Escritório de Arte Dayse Resende (EADR) inaugura esse novo espaço de interação com seus clientes, parceiros e amigos. Aqui será reunida toda a trajetória do trabalho desenvolvido pela polivalente Dayse Resende que acumula as funções de Curadora de Arte, Agente Cultural, Artista Plástica e Empreendedora do ramo das Artes.

Nas abas acima vocês encontrarão informações sobre a formação dos Artistas representados pelo EARD, sugestões de ambientação, clipping dos eventos em que o EARD esteve presente, agenda de eventos e cursos e, em breve, nossa Loja Virtual, na qual poderão ser adquiridas online as obras disponíveis no acervo. Levaremos nossa Arte a qualquer parte do mundo!

Então entrem! Fiquem à vontade. Explorem cada cantinho do blog e se desejarem criticar, elogiar ou sugerir algo, por favor, entre em contato conosco usando o formulário ao lado esquerdo ou deixe seu comentário abaixo. É graças a vocês que o EARD existe e é essa parceria que nos mantém motivados a entregar um serviço cada vez melhor.  OBRIGADA!

Tatiana Marques
Gerente de Mídias Sociais

Contato:escritoriodearte.dayseresende@gmail.com

Telefone atualizado do Escritório de Arte Dayse Resende : 027. 99962.2130


Contato:escritoriodearte.dayseresende@gmail.com



Aos 82 anos, TÔNIA OBERLAENDER vive pintando, registrando suas impressões em quadros e desenhos. Pode ser considerada uma artista completa.  Em sua trajetória, a artista participou do “Grupo dos 7” e do “Todos de Bem”, e ganhou alguns prêmios. Tônia participou de mostras nos EUA, Itália, Portugal e Cuba, ocasiões em que fez novos amigos e lapidou a linguagem da arte, fundamentando a sua prática, e alcançando o profissionalismo.

Muitos foram os caminhos percorridos por esta admirável mulher que, hoje, conta com mais de cinquenta exposições (Brasil e exterior) no currículo. A carreira como artista plástica começou após a sua aposentadoria, aos 55 anos. De lá para cá, ela vem se dedicando à criação, e ao diálogo com variadas poéticas, e participando de festivais de arte e cursos livres, como os que realizou junto aos artistas e críticos Fayga Ostrower, Lourenço de bem, Vanda Rosa, Frank Zupnek entre outros.

Na mostra “ARTE, RESPOSTAS VIVIDAS, pinturas de Tônia Oberlaender”, cuja curadoria ficou por conta de Dayse Resende, o publico vai tomar contato com produções que cobrem o período de 1986 a 2009. Essa mostra reúne 22 obras aproximadamente, apresentando um recorte da produção dessa artista contemporânea.

Para Tônia é uma grande realização. Essa exposição vai ao encontro do desejo da artista de atuar, interativamente, no cenário das artes plásticas produzidas no Espírito Santo, terra que escolheu para viver, e que adotou como sua, desde 2008.

                         

 Esse é um momento especial, no qual Tônia Oberlaender abre uma nova fase produtiva. Sua obra é contextualizada por momentos pessoais, e fomenta um processo de autoconhecimento e autonomia. É a Arte dando um novo significado para o processo de envelhecimento que, nesse caso, vincula-se à vida, à atividade, à criatividade, e a um reencantamento do mundo na maturidade.

Para curadora da exposição Dayse Resende, a escolha dos trabalhos a serem expostos ocorreu em função de uma dupla perspectiva:
1-       Autoconhecimento e autonomia – Que consiste no resgate da memória histórico-cultural da artista, com obras significativas, selecionadas nas exposições coletivas que fez em Brasília e no exterior. Esses grupos são, hoje, conhecidos como “coletivos”. Tônia lança mão das cores sóbrias e dos gestos longos; opta pela abstração.
2-       Fase Lúdica, onírica - Aquém e além da pintura. Pela importância, pelos valores estéticos e artísticos conferidos nestes trabalhos. A pintura fantástica produzida, embora não seja exatamente surreal, mostra um diálogo com a natureza a partir do onírico, revelando uma postura investigatória dessa nova existência, onde coloca a sua alma e poesia.

Essas telas registram a chegada de um anjo em sua vida para criar um novo mundo, com novos valores sentimentais: um filho, que abre para a artista novo momento na vida. Tônia Oberlaender registra bastante, poeticamente, essa fase de sua vida, quando na sua pintura começam a aparecer duendes, fadas e florestas encantadas. A artista cita personagens de um mundo de fantasia, só seu.


Percebemos a utilização de assemblage  em seus trabalhos numa tentativa de apreender de forma material o momento, com a inserção de colagens de ramos de plantas e flores de seu jardim em sua obra. A percepção da artista sobre esse universo é motivada pelo momento vivido, e pela presença de Thiago em sua vida.
As telas deste momento se dividem em duas fases – A primeira azul, roxo e magenta (Thiago); a segunda marrom e verde (marido). Algumas pinturas remetem para uma floresta encantada: “Série duendes”. Completamente diversa da fase anterior, do circo, essas novas construções pictóricas lembram o colorista e inventivo universo de Suzana Vilaça, artista capixaba; nele, Tônia utiliza as cores delicadas, as formas e os movimentos tranquilos na produção.

Atualmente, a artista explora, com energia e dinamismo, a mistura de cores em suas obras. O trabalho caminha com passos firmes e a artista segue a produzindo sem medo das mudanças e fiel aos seus sentimentos: Envelhecer fazendo arte é a meta de sua vida!

Dayse Resende, 13 de Junho de 2014.

Fotos da artista.
 O publico vai tomar contato com produções que cobrem o período de 1986 a 2009. Essa mostra reúne 22 obras aproximadamente, apresentando um recorte da produção dessa artista contemporânea.





Exposição
De 16 de junho a 18 de julho (PRORROGADA ATÉ 31 DE JULHO)
De segunda a sexta-feira das 12 às 18h

local
Av. Marechal Mascarenhas de Moraes, 1877, Vitória, ES.( ao lado do INSS e rede gazeta)
É necessária apresentação de documento de identidade.
Estacionamento para visitantes








O uso da cor é uma ferramenta básica e um elemento chave na personalização da nossa casa ou parte dela. Além das percepções físicas, a cor influência ainda o nosso estado de espírito, poderá transmitir paz e tranquilidade ou energia e ação. Devido ao poder inesgotável da cor, devemos ponderar bem os tons, ao escolher quando decidir pintar nossa casa, devemos selecionar as cores em atenção aos nossos gostos e personalidade, bem como o que melhor se adequa ao espaço que estamos decorando.

O importante é saber que a cor pode ser utilizada para alterar a percepção que temos do espaço. Podemos fazer uma sala parecer maior ou menor, mais alta ou mais baixa ou até mais fria ou mais quente, só utilizando a cor como ferramenta.

Então perguntamos: "como você se sente neste ambiente mais colorido?", "qual experiência é importante?"

Banheiro público de Caroline e Claudia Rocha, Morar mais 2014. Uso de cores estimulantes e de muita vitalidade.



O uso das cores pode ser, um desafio e uma oportunidade para acrescentar um valor inesperado a nosso jeito de morar.

Sendo assim, optamos por apresentar o emprego da cor na concepção de alguns espaços presentes nas mostras de decoração capixaba, espaço bem definidos, adaptado ao perfil específico. Alguns ambientes do Decora Líder 2014 e do Morar Mais por Menos Vitória.

As duas mostras de decoração que estão movimentando a cidade tiveram como fornecedora exclusiva de tintas e complementos o Grupo Argalit.

Como fornecedora exclusiva de tintas e complementos, a Argalit disponibilizou para os arquitetos e designers de interiores, de ambas as mostras, o Sistema Tintométrico Life Color com a linha Elit Super Premium, em três tipos de acabamento (fosco, acetinado e semibrilho). Seu processo de produção permite a combinação de bases especiais, possibilitando a criação de mais de mil variações de cores. A partir das tintas escolhidas para compor os ambientes já dá para se ter uma ideia do que é tendência em 2014.

Este é o terceiro ano consecutivo que a empresa é patrocinadora do Decora Líder e o segundo ano do Morar Mais. O objetivo dessas parcerias, segundo o diretor executivo do Grupo, Raphael Cassaro, é aproximar-se ainda mais dos profissionais da área e divulgar o amplo mix de soluções para os consumidores finais. “Eventos como esse, que exploram a criatividade dos profissionais, possibilitam ao visitante conhecer de perto as diferentes possibilidades de aplicação, bem como as novidades e tendências em cores e acabamentos de tintas”, completa.

Na Morar Mais Vitória, o banheiro público de Caroline e Claudia Rocha, apresentam a cores fortes e vibrantes, um ambiente dinâmico e bem brasileiro. Já a varanda Íntima idealizada pela arquiteta Myrian Tatiyama Myiamoto recebeu a tinta esmalte base água Azul França e a tinta Elit Super Premium Branco Neve. Em outro ambiente (foto), também da arquiteta, formado pela Escada Externa e pelo Jardim Vertical, estão as cores Mostarda, Pacífico, Vermelho, Girassol, Crepúsculo e Preto.

A Adega Doc foi idealizada pela dupla Germana Paz e Hellen Dalla e recebeu a cor Damion. As profissionais utilizaram a percepção da cor para reforçar o conceito do ambiente.


Fachada cores cerâmica e azul Laguna


A sala de estar de O+Jota ganhou desenhos geométricos no teto e na parede lateral A Cervejaria de Ambiente desenhado por Thiago Sant'ana ganhou vida com as tintas nas cores Cerâmica e Azul Laguna.

O arquiteto Juliano Miller utilizou cinza escuro 299 nas paredes deste lavabo com iluminação pontual, evitando-se cores vibrantes que pudessem gerar estados de excitação, e pela adoção de iluminação artificial, mista, com lâmpadas incandescentes e fluorescentes, calculadas para atender as exigências de visualização específicas do ambiente.

 O espaço Produtos Orgânicos, desenvolvido por Adriane Chiappani e Thais da Rocha, recebeu as cores Cheddar, Cyprees Green e Montego. Aqui o elemento primordial na escolha das cores foi a valorização dos produtos e a integração do ambiente com conjunção entre as cores, para obter resultados surpreendentes dinâmicos ou  saborosos!


Na mostra Decora Líder, a cor também se destacou em diversos ambientes. O Espaço de Vivência, criado por Carol Daros, recebeu as tintas nas cores Old Linen, Bamboo e Thistle Flower.

Segunda a arquiteta, "A beleza é alcançada no emprego de tons neutros e materiais naturais".

Usando um cartela de cores mais neutra, sempre em busca de soluções para trazer conforto e fomentar o convívio familiar, permitir o uso de obras de arte e de design,  o ambiente deste projeto inspira harmonia,  não só em relação as cores e aos materiais empregados, mas, também, com o modo de vida de cada um.

No Apartamento Comercial de Jacqueline Barros, o destaque está nas cores Bufftone, China Doll e Palle Mushroom.

Seu grande insight foi priorizar a integração de espaços e agregar uma tela alegre e colorida de Fabrício  Secchin.

Para a Sala de Estar do Jogador de Futebol, Gabriela Dall’Orto escolheu a cor Nearly White. Optou-se pela utilização de cores tranquilizantes, o foco foi criar um ambiente mais clean para abrigar as fotografias históricas, troféu, camisas do morador que foi jogador de futebol.


Dayse Resende, Vitória 10 de junho de 2014