Comunicação compassiva nas organizações

Ciomara Gonçalves
É senso comum que as habilidades de comunicação devem ser consideradas como um dos mais importantes pilares da atuação eficaz de um gestor e/ou líder no ambiente organizacional. No entanto, é comum encontrarmos esses profissionais focando o seu aprimoramento nas competências técnicas ou em ferramentas de gestão e liderança, e procurando solucionar situações de estresse na equipe a partir do outro. Raramente a primeira pergunta do líder é sobre Como eu estou impactando as pessoas ao meu redor? Qual a parte que me cabe neste conflito que estou vivendo?

Quaisquer que sejam nossos desafios ou necessidades no trabalho e na vida, bons relacionamentos nos ajudam a poupar tempo, recursos e esforços. Tudo caminha melhor quando temos bons relacionamentos. E construir bons relacionamentos em todas as esferas de nossa vida exige atenção à qualidade da comunicação que estamos praticando para que possamos construir relações autênticas. E a relação se dá na comunicação interpessoal, geradora de confiança e de resultados que contemplem a satisfação das necessidades de cada parte envolvida. 

A comunicação não violenta, também conhecida como comunicação compassiva ou a linguagem do coração, nos convida a uma conexão conosco mesmos e com o outro de maneira a construir relacionamentos autênticos e conscientes, capazes de apaziguarem nossos conflitos internos e com terceiros. Compreender o outro nos dá poder de ação, nos dá sentido. 

Em vez de o líder se exaurir tentando fazer com suas equipes respeitem regras ou exprimam valores de forma cega, vivenciando estas questões como obrigações irritantes, o líder pode trabalhar as necessidades de seus colaboradores de forma a produzir consciência. Ele pode partilhar seus incômodos e co-criar soluções e comportamentos sustentáveis, reorganizando as prioridades a partir da escuta das contribuições que seu colaborador pode dar. 

Utilizando a abordagem da comunicação compassiva, é possível para o líder se relacionar com as pessoas de sua equipe de forma autêntica, se fortalecendo com a sua própria vulnerabilidade, se conectando com o outro a partir do que cada um realmente é como ser humano, e não em suas expectativas e papéis funcionais. 

Quando esgotamos nossas palavras, nossos argumentos, quase sempre erguemos muros de espinhos que nos impedem de ouvir a nós mesmos e ao outro, dificultando que a empatia emerja na comunicação. E as conversas, frequentemente, caminham para um jogo de ‘quem está certo e quem está errado’, de ganhador e perdedor. 

Seja no trabalho, nas relações afetivas, familiares, ou em qualquer situação que envolva contatos significativos entre pessoas, a comunicação compassiva nos possibilita uma nova maneira de expressão. Por meio dela desenvolvemos nossas habilidades de ouvir a nós mesmos e ao outro sem julgamentos, valorizando os sentimentos de cada pessoa envolvida no diálogo, valorizando as necessidades mútuas e realizando pedidos claros e realistas. Desta forma, ampliamos as possibilidades de que o que necessitamos possa ser efetivamente atendido. 

Um líder que não se cuida e não se desenvolve, é pouco provável que reúna as competências necessárias para lidar com o caos ou incertezas de sua equipe. Nas palavras de Rudolph Steiner, filósofo suíço, “não há, basicamente, em nenhum nível, uma outra educação que não seja a auto educação”, e a auto educação exige humildade.


Matéria publicada no Jornal A Tribuna - 25 de outubro de 2016, Coluna Tribuna Livre
Maiores informações: ciomara.coach@gmail.com





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